quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Universo Bipolar



Quem serei eu senão uma farsa?
Um segredo (não) contido?
Uma trágica comédia?
Uma divina trama?

Que será desta vida senão o sopro?
Esta brisa de agora?
Esta mandala mutante,
Que uma ora é, outra já não é mais?

Uma sombra me segue
Outra está sob meus passos:
Já não sou eu quem sigo
Nem sou eu quem vou

Dois ou mais seres brigam e rugem
Ora um vence, outra ora vence o  outro,
E segue assim esta farsa em vida
Esta obra, in persona, à la Kafka.

(Eloisa Rocia)

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

WORLD WIDE WEB E OS HUMANÓIDES


Parafraseando ambiguidades loucas, soliloquiando loucamente, por aí, temos visto umas coisinhas estranhas numa tal de WWW. Esta tal de internet faz todo mundo virar doutor nas coisas... poliglota, ufólogo, médico, bruxo... umas coisas bem intensas por aí. Iogas sem mestre, pranayamas sem guru...
Em contrapartida, as pessoas se conversam facilmente e combinam altas coisas do tipo, um Apartheid logo ali... sem suor, sabe... Flagras programados... coisas muito, muito modernas hão de se cogitar no futuro do jeito que a coisa anda, tipo, um Reinado Republicano... sei lá... Os homens se confrontam via web, numa forma moderna: onde outrora era “face to face” hoje prevalece o “fake to fake”.
Mas a net promete coisas que realmente não cumpre. Aliás, os humanóides da net. Você visita um portfólio e a pagina anuncia: estamos em construção. Portfólio temporariamente sem imagens. Humanóides são assim. Cheios de homeopatia filosófica enganosa.
Um outro ângulo é a clientela humanoide extremamente exigente. Eles são alérgicos. Eles necessitam do antídoto anti-imunidade. Eles clamam por uma droga bendita que seja a panaceia para sua vida vazia. Pobres humanoides. Querem limpar a mancha transparente da roupa. Querem criar paralelas angulosas. Por que? Porque eles querem. Querem tanto e tantas coisas fúteis que às vezes o meu grito parece surdo e eu pareço uma lunática. Uma lunática que vos fala, neste “Lego” de palavras.
O homem anda cometendo tantas atrocidades contra o próprio semelhante que às vezes, em minha ignorância religiosa penso ser até um “poupa tempo” para o diabo tudo isso que o humano faz. Mas... para bons entendedores, toda confusão é autoexplicativa. Então... 

(Eloisa Rocia)

HISTÓRIA DE AMOR

Tantos planos ele tinha quando eles se conheceram.
Ela vendia sonhos e canções.
Ele contava contos, cantava cantos, por todos os cantos...
Ela tocava seu violão e nunca tinha dinheiro para o ônibus.
Ele andava de carro e usava um casaco que cheirava a gasolina.
Ela compunha sonetos e fazia as malas.
Ele gostava de leite.
Ela queria café expresso.
Ele ouvia Axé.
Ela ouvia Rock’n Roll.
Ele era Corinthians e ela São Paulo.
Ele era de sol e ela de lua.
Ele de praia e ela de neve.
Ele acreditava. Ela duvidava.
Ele jogava jogos eletrônicos e consertava computadores.
Ela pintava quadros e bordava toalhas.
Ele sujava tapetes.
Ela os tecia.
Ele explicava coisas sobre História e Geografia.
Ela calculava as cadeias de carbono de todas as coisas.
Ele gostava de branco e ela gostava de preto:
Eles amaram o cinza.
Ele era terno.
Ela o desenhava, todos os dias, pela manhã, em sua mente.
Ela precisava desta ternura prá sobreviver à sua própria acidez.

(Eloisa Rocia)