sábado, 14 de janeiro de 2017

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A gente faz que não vê
O que se passa logo abaixo do nosso nariz.
Afinal, de que adianta enxergar
Se, no final das contas, a gente não pode resolver?
A gente repara e compara
Que tem gente que enriqueceu
Enquanto a gente empobreceu.
Mas, prá viver em paz, a gente é o lado mais fraco, é melhor se calar.
Então a gente peca por omissão
E ora a Deus, com os joelhos no chão,
Que quem se enriqueceu com o dinheiro do povo, pague seus pecados aqui na terra,
Que é pra gente ver.
A gente toma remédio prá curar
Uma doença que é social,
Enquanto isso os caras tomam vinhos caros,
Em seus lares roubados, que nós pagamos
Com nosso suor.
E a gente vive aqui e ali,
Fazendo milagres prá sobreviver.
Damos graças a Deus pelo teto e pelo pão,
E pensa positivo prá amanhecer.
Mas, no fundo o que a gente quer
É vingança. É cadeia. É punição.
Prá essa corja bandida
Que a gente observa, e faz que não vê.
(Eloisa F. Sm Ramos Rocia)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Patchwork de lembranças

Um dia de piquenique na praia
Uma caminhada até a ponte
Pescaria mal sucedida
Tombo de bicicleta
Brincar com ovos e terra
Correr das galinhas da vó
Cavar poços profundos no quintal de terra
Na intenção de criar um lago.
Dormir na casa da vó.
Chorar de madrugada e voltar p a casa da mãe.
Ganhar presente de aviversário
Roubar o danone do meu irmão
Brincar de noite fantasma,.com caretas de abóbora e velas
Dar voltinhas de carro com papai
Era essa nossa vibe. Do extremo bem.
(Eloisa F. S. Ramos Rocia)

sábado, 2 de agosto de 2014

Meus 37

Sol. Luz. Pleno domingo.
No peito, a vida que foge.
Já quis a morte, é verdade.
A morte me driblou e, até ela, me abandonou.
Fiquei sozinha. Sem vida e sem morte.. Respirando...
Só, sobre a Terra.
Hoje, dia azul.
Meus 37 me engoliram, como a jararaca que engole o camundongo.
O dia passa... a dor fica.

(Eloisa Rocia)

Somente hoje (e a cada dia)



Há uma ferida aberta,
Pulsátil,
Neste coração cansado,
Que há de doer
Até a última batida.

Há um coração ferido,
Batendo,
cansado,
Que está a morrer
Desde a primeira batida.

Há um coração aberto
Nesta ferida,
Batendo,
E morrendo
a cada dia.

Há um coração que morre,
Uma ferida que pulsa,
Nesta batida doída.
Que dilacera
 Um pouco mais
A cada dia.

(Eloisa Rocia)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Aqui...


Não quero o topo
Não quero aplauso
Não quero flores
Não quero amigos:
Eu não quero o seu lugar.

Tá legal prá mim
Aqui na lama fria
Já quis o alto algumas vezes,
(Estive lá)
E não gostei

Fantasmas me assombram
Mas eu não acredito em fantasmas.
A paisagem é bacana,
Mas é cinza: e não há beleza no cinza.

Não quero a espada:
Eu sou de brisa!
Não quero os fatos:
Eu não me importo.

Apenas quero o esquecimento
Assim está bem.
(Sinto-me incrivelmente bem)
Sempre que me recolho à minha
(tão minha)
Insignificância.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Quimera



Floreia lá fora
A vida
Tênue, fresca, límpida.

Arrefece  aqui dentro
A vida
Lânguida, morna, turva.

O que há com a vida?
Lá fora,
Passa, despreocupada, azul...

O que há com a vida?
Aqui dentro,
Que escapa, aflita, por nada, por tudo, tão cinza?

Ah, fico cá a pensar em quimeras...
Num dia flácido, sem lítio, de sol,
Numa noite , sem narcose, de lua,
Numa alegria que me venha plena,
Sem promessa de fim,
Ou a  ameaça da condição.

ELOISA ROCIA