quinta-feira, 1 de julho de 2010

TARDE DEMAIS

Desenho escarlate no chão branco

Chão de doçura que outrora,
Há vinte anos, fora engatinhado por ele
Há dez anos, riscado pelas rodas do skate


Madrugada
Vazio
Silêncio profundo
Corpos dormindo em suas camas
Pela vizinhança
Enquanto um desenho de sangue
se forma,
Aumenta,
Toma formas abstratas
E assustadoras.


Nenhum som.


Ele: caído
Sangrando
Jogado
Uma arma ao lado.


Ela: agora aqui
Chorando.
Abraça o corpo sem vida do filho.
Diz loucamente: “eu te amava”.


Tarde demais.
O abraço veio tarde.
O “eu te amo” também
Eloisa Rocia

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