terça-feira, 4 de outubro de 2011

Pensamentos 23/09/2011

Não mais que um suspiro seria a vida?
Seus lábios secos e pálidos resmungam lamentações intermináveis.
 Lamentações por  fatos passados, atitudes não tomadas, amores não vividos.
Não mais que um olhar sobre os ombros, contempla o ar que parece sério neste dia primaveril.
Um cheiro interminável de saudades dos que partiram, dos que não puderam ficar.
O gosto amargo desce faringe adentro. O mesmo amargo de sempre.
Num demorado súbito, vira a face e vê que a primavera não deu as caras este ano.
Marcou hora e dia, mas não apareceu. Como aqueles telefonemas que a gente espera e espera... e não acontecem.
As   folhas caem secas e as flores despontam timidamente, diferente de outrora.
Houve um tempo em que havia um prazer em regar as plantas e, ainda assim
 o cheiro de terra molhada também fazia lembrar dias tristes.
Quando afinal ela fora feliz?
Pensa sem se lembrar de um dia sequer onde a alegria não tenha vindo seguida de uma dor estranha na alma.
 Uma dor da certeza de que aquilo tudo vai passar...
Em segundos percorre mais um pouco o tempo, voa décadas adentro.
Ouve risos e choros de crianças que brincavam e brigavam no quintal.
Dias passados sem olhos nos olhos, ao som de uma máquina de costura incessante.
Agora, seus varais caem quando colocas neles pesadas roupas.
Culpas ao tempo e talvez ao próprio Deus por sofrer as angústias de quem não tem com quem contar.
O chuveiro estoura, a porta imperra, a luz se apaga e já não há ninguém para socorrê-la.
Suspira e lastima pela tristeza que é a sua vida.
Os netos destroem a sua casa limpa. As almofadas fora de lugar te tiram a paz.
Grita e revive momentos que jurou não mais viver... mas pensamentos e atitudes reverberam... retornam... sempre voltam.
Depois ver o resto de tudo.
Vida triste de quem nunca foi feliz.

(ELOISA ROCIA)

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